20 de Julho de 2012
«Love me when I least deserve it, because that's when I really need it.»
~ Provérbio sueco
Mal as pessoas nos chegam às mãos, deveríamos apresentar o talão de troca ao comité do universo. Não é brincadeira nenhuma, afinal, qual é a ideia? De repente, deparamo-nos com alguém cheio de defeitos: gente usada, com qualidades mal cosidas, sorrisos descolados, e o pior deles todos é o coração, esse sim é a maior vergonha! Uns demasiado pequenos, outros grandes o suficiente para incluírem pessoas pouco merecedoras desse privilégio, partidos, frios, às manchas, apertados - uma imensidão de deformidades com as quais somos obrigados a lidar.
Há quem chegue à nossa beira com uns percalços aqui e ali, mas nada notório o suficiente que o invalide enquanto ser humano; contudo, a excepção não faz a regra: gente feita num verdadeiro oito, não me refiro necessariamente a maldade ou outras imperfeições de fabrico, mas sim de lacunas psicológicas e espirituais que demoram tempo, muito tempo, a sarar. A pergunta é- o que é que fazemos com um farrapo destes na mão? Que solução é que nós, enquanto amigos que nos tornamos, não fosse o tempo tão astuto, haveremos de inventar de forma a arranjar este ser tão danificado, que à nossa frente se apresenta? E aí, não sei se será o tempo o astuto ou esta divagação, este acaso com o qual somos confrontados todos os dias, que nos conduz a quem precisa de nós; sabemos que no passado, muita gente preferiu atirar o malfadado objecto para a sarjeta, dar-lhe uma pancada para ver se funcionava, caso contrário seguiam para outro em melhores condições - agora é a nossa vez de o consertar, vai requerer paciência, esforço e uma mala de ferramentas topo de gama, mas porque nos afeiçoaríamos a alguém que não merece esse tipo de cuidados?
Apercebermo-nos de que, depois de mudados os parafusos enferrujados, limadas muitas arestas e afinados os sorrisos, a pessoa não nos parecerá assim tão danificada; claro que continuará a fazer aquele barulho esquisito em algumas situações e não é certo de que irá pegar em circunstâncias menos boas, no entanto, nós estaremos lá com o nosso leque de ferramentas, desde compreensão a força, para a ir ajudando e empurrando quando o motor não ligar.
No final não nos sentiremos injustiçados por nos ter calhado esta pessoa imperfeita, mas felizes e gratos por termos sido nós a descobrir a beleza escondida por debaixo de tanta fuligem.
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