21 de Setembro de 2013
Hoje vi (finalmente) "Milk", já mo tinham aconselhado quando estreou no cinema e voltaram a fazê-lo várias vezes algum tempo depois, mas realmente só agora é que tive predisposição para o fazer, e a única pergunta que me vem à cabeça é: o que raio temos nós na cabeça? Sinceramente, digam-me por favor vossas excelências qual é a diferença entre ver um rapaz a enfiar a língua até ao fígado duma rapariga e ver um rapaz a enfiar a língua até ao apêndice de outro rapaz? Um casal é rapaz e rapariga e outro é rapaz e rapaz, um o meu cérebro perfeitamente tapado e retrógrado está habituado a ver e outro é uma violação moral com direito a ser rotulado como a única forma de se transmitir HIV- já agora, um grande obrigada à ciência por ter arrumado com essa da doença, só prova que a ignorância realmente é uma coisa muito triste e paralelamente perigosa.
Agora vamos àqueles debates- para mim são esclarecimento de ideias porque nada do que possa vir do outro lado, me parece minimamente plausível- a que toda a gente está habituado, são eles: o casamento, a adopção e, desculpando-me o termo, o carago do direito de cada um fazer o que bem lhe apetece sem ter de levar com um infeliz a olhar de lado!
Ora bem:
- Adopção
Este para mim é o mais escandaloso, ora bem, vamos lá por partes: existem não sei quantas mil crianças (eu tentei pesquisar uma estimativa do número, mas não encontrei, se alguém se lembrar de fazer o mesmo e obtiver resultados, agradeço a informação) em orfanatos à espera para serem adoptados, outras tantas estão em casas de acolhimento algumas sabe-se lá em que condições já que esses sítios ganham tudo menos boa fama, a maior parte (tantos nas casas de acolhimento como nos orfanatos) muito provavelmente com um défice de carinho e atenção que nem nos passa pela cabeça, e o que é que acontece? Um casal homossexual não tem direito à adopção plena de crianças; Recentemente foi aprovada aquela salsada da co-adopção, da qual ainda não estou bem a par, mas que a mim me parece simplesmente algo feito pela metade como só um bom português sabe fazer. Agora expliquem-me, em que mundo é que isto faz sentido? No nosso, já tinha percebido, mas porquê? Já ouvi a do "ai a criancinha vai ser gozada!", podem ter a certeza que vai, mas a criancinha vai ser gozada se tiver duas mães, vai ser gozada se for chinesa, vai ser gozada se for míope, vai ser gozada se tiver dois pés esquerdos para jogar futebol, vai ser gozada se tiver dentes tortos, vai ser gozada se for sopinhas-de-massa e vai ser gozada se tiver uns quilinhos a mais. Adivinhem? Qualquer criança corre o risco de ser gozada, chama-se infantilidade e é algo que se espera dos miúdos cruéis como só eles conseguem ser hoje em dia, mas não de adultos maiores e vacinados.
Se vai ser difícil ao início? Claro que sim! Mas o meu parvo e incoerente bom senso diz-me que cama, comida, roupa lavada, estudos, carinho e amor que só uma família (seja ela Maria-José, Maria-Maria, José-José) sabe dar, é ligeiramente melhor do que viver até sabe-se lá que idade num orfanato.
Também já ouvi aquela do "a criatura precisa de uma figura maternal", dessa não discordo, mas também já conheci umas figuras maternais porreiras, aquelas que se embebedam até cairem para o lado sabe-se lá quantas vezes, aquelas que deixam a dita responsabilidade maternal para as avós porque estão demasiado ocupadas na droga ou que simplesmente esbofeteiam a criança umas trinta vezes ao dia porque calcularam mal as obrigações e os cuidados que ter um filho exige, portanto acho que podemos concluir que a existência de uma figura maternal não impede que a criança seja infeliz ou maltratada. Com isto: não, não discordo (mas também não considero um bom argumento nem tão pouco uma urgência nacional) que a criança deva ter uma figura maternal, mas essa pode ser facilmente interpretada por uma tia, uma avó ou até uma boa amiga dos pais e caso não exista nenhuma, acredito sinceramente que uma boa e enriquecedora conversa resolva todos esses problemas que supostamente uma figura maternal evitaria.
Por último aquele do- "ai, se os pais do rapaz forem gays, o miúdo ainda vira também!"- minha boa gente: pela madrugada! Primeiro e seriamente falando, acredito que conheçam quinhentas pessoas homossexuais cujos pais são heterossexuais, portanto, e pelo seguimento de ideias daquele argumento, não era suposto ser assim. Pais heterossexuais influenciam os filhos logo estes são heterossexuais e pais homossexuais influenciam os filhos logo estes são homossexuais, é parvo, é descabido, é estranho e é no mínimo insultuoso porque se parte do princípio de que a homossexualidade é algo a ser evitado.
Para finalizar, apelo ao bom senso de cada um com o seguinte: pessoas que aturam e ultrapassam todas as dificuldades e complicações burocráticas que uma adopção exige, querem realmente uma criança, têm realmente amor para dar, e normalmente possibilidades financeiras para sustentar alguém, expliquem-me por favor o que pode ser mais forte do que isso. Posto isto, deixo-vos um vídeo que esclarece em poucas palavras aquilo que eu tento explicar: http://www.youtube.com/watch?v=yMLZO-sObzQ
- Casamento
Ora bem, para contrabalançar com a adopção, este vai ser muito breve porque nunca ouvi contra-argumentos, para além dos baseados na Bíblia, mas isso dá pano para mangas e eu sei que existem mas não me recordo de umas boas passagens que também serviriam de argumentos para casais homossexuais se poderem casar pela Igreja, há um episódio de "Anatomia de Grey" onde a Callie cita uns quantos, sejam queridos e procurem se vos interessar.
As pessoas amam-se, aceitem isso, existem homens que gostam de homens e mulheres que gostam de mulheres e ainda existem os gulosos que gostam dos dois. E daí? Apelo às almas mais reticentes que entendam isto, porque depois de encaixar nesse cérebro lindamente delineado que deveria servir para alguma coisa, tudo vos vai parecer muito mais simples e algumas coisas sinceramente, desnecessárias! As pessoas amam-se, querem comprometer-se e portanto têm o direito de o fazer, em Portugal já está aprovado que os casais homossexuais podem casar pelo civil, não, o Francisquinho ainda não mandou aquilo abaixo para que também o possam fazer pela Igreja, mas sinceramente também já me pareceu mais longe.
O que a mim me incomoda é a necessidade das pessoas se meterem, não levam bem a vida que têm? Então o que é que lhes interessa se o Joaquim e o Vicente se decidiram casar ou se a Tânia e a Francisca decidiram ir morar juntas? Porque é que isso há-de fazer tanto peso na vida de alguém? Se não aceitam, está bem, não conversem com o Joaquim e façam de conta que não viram a Francisca, mas por favor não impeçam de viver em paz e ser feliz quem assim o pretende fazer com alguém do mesmo sexo!
- O carago do direito de cada um fazer o que bem lhe apetece sem ter de levar com um infeliz a olhar de lado
A mim chateiam-me pessoas que olham de lado, pessoas sem noção de espaço para circular, pessoas que não atravessam na passadeira, pessoas que cospem para o chão, pessoas que passam à frente nas filas, pessoas antipáticas, pessoas mal-educadas, pessoas que passam na carrinha das obras e buzinam enquanto babam e por aí em diante porque o que não falta na sociedade são maus hábitos e falta de civismo, e acredito sinceramente que isto seja algo muito mais perturbador e digno de mudar do que um casal do mesmo sexo a passar na rua, ou a dar um simples beijo de despedida, ou a fazer seja o que for na vida que lhes pertence! Chateia-vos isso? Minha boa gente, alguns indivíduos são O atentado ao pudor em pessoa, mas a esses se calhar ninguém diz nada.
Existem duas coisas muito básicas que devem ser entendidas: amor é amor, em todas as suas variadas formas, não deixa de ser amor, e isso quer-se demonstrado, quer-se vivido e quem o quiser impedir é um ser humano desprezível e mal-amado; a outra é: a sexualidade não faz a pessoa, assim como a religião não faz a pessoa, assim como a cor não faz a pessoa, cada um é o que é, e não deve ser julgado pela sua orientação sexual, religião ou cor mas sim pela forma como convive e lida diariamente com tudo aquilo que gira à sua volta.
Se toda a gente, se cada indivíduo dos 7 biliões de pessoas no mundo aceitasse isto como um mantra, então sim, a paz mundial seria menos utópica e a felicidade existente.
Amem-se, e deixem o ódio e o preconceito para quem consegue viver com ele!
C.
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