quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

"De mão na anca e com muito amor"

29 de Março de 2014

Acho piada, sou capaz inclusive de me orgulhar, de ter aquela vertente filha da mãe que todas as mulheres têm, seja em que quantidade for, relativamente aos homens.Aquele não-sei-quê estuporado quando nos é faltado ao respeito ou quando pura e simplesmente fazem algo que não foi do nosso agrado que nos faz deitar a mão à anca enquanto elevamos a outra com ar de peixeiras desbravadas. Admito-o, engraço com essa característica e considero bastante saudável que exista numa mulher, dá-lhe graça e torna-a real no sentido de "ficas tão gira quando te zangas" mas ultimamente tenho lido e ouvido frases, daquelas que nos elevam num pedestal como se tratar os homens como escória fosse uma velha máxima a interiorizar, muito mais frequentemente do que o normal. 
Existe sempre aquela típica mulher com a mania que é dona do seu nariz e coração, que não deve nada a ninguém e que homem nenhum a faria fraquejar, isso parece-me a mim muito bonito e à falta de melhor palavra, selvagem, se na prática não fosse uma total hipocrisia vindo de alguém que paralelamente se deve sentir completamente carente e mal-amada, se não mesmo apaixonada. Lembro-me de imensos exemplos de frases e músicas usadas para demonstrar essa suposta qualidade de "não preciso de ninguém", desde letras da Beyoncé a frases partilhadas por diferentes pessoas no Facebook, mas a minha pergunta aqui é: qual é a necessidade? Acredito, concordo e tenho a noção de que devemos manter o nosso amor-próprio, independência e dignidade não só numa relação como em tudo na vida, mas daí a fingir de que não somos afectadas por absolutamente nada e que no lugar do coração temos um cubo de gelo, parece-me uma boa descrição de uma femme fatale mas não de alguém no início da vida com o histórico de uma ou duas pessoas que a marcaram verdadeiramente. Qual é o problema com a genuinidade? Em demonstrar que estamos completamente apaixonadas ou completamente irritadas? Ninguém nos vai julgar por descermos do pedestal e nos mostrarmos uma pessoa normal que se preocupa e não tem problemas em precisar de alguém; nem tanto ao mar nem tanto à terra,não é fácil aturar uma sirigaita com a mania que é bitchy bitch a quem é preciso tirar tudo a saca-rolhas, mas uma miserável sem respeito por ela mesma também não é o espectáculo mais bonito de se ver, haja equilíbrio mulheres!
Na minha experiência pessoal, toda a gente -e "gente" refere-se ao sexo feminino- que conheço que incha o peito, se faz de pessoa forte sem precisar de ninguém, a uma determinada altura acaba por demonstrar o seu lado frustrado e amargurado, não por ser solteira porque não considero que isso seja sinónimo de infelicidade, mas sim por não dar a mão à palmatória uma única vez e ter de viver constantemente uma fachada. Mentalizem-se de que demonstrar carinho, preocupação e dar a parte fraca, não implica arrumar um canto quem somos, como somos e o que fazemos, mas sim encontrar um meio termo entre o lado humano e a raça. 
Falo daquelas demasiado novas para guardar rancor, para amargurar, para afastar e não dar oportunidade a quem merece; falo daquelas tristes e frustradas mas que quem as ouve parecem as mulheres/meninas mais felizes do mundo; falo daquelas que insistem em subir cada vez mais alto no pedestal, quando a única coisa que desejam é estar cá em baixo como toda a gente.

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