quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

"Cabeça na Lua (impossível!)"

3 de Dezembro de 2014

"We are such stuff as dreams are made on, and our little life is rounded with a sleep."
~ William Shakespeare

Nunca me considerei uma pessoa científica, apesar de ter enveredado pelo campo das ciências e me encontrar, presentemente, num curso directamente relacionado com o mesmo, nunca fui alguém matematicamente lógica ou cientificamente explícita. Adoro a ciência, acredito (posso usar este verbo quando se fala em ciência? "Acreditar"?) é algo tão certo apesar de se encontrar numa constante pesquisa e evolução; mas isto não é nenhuma ode à ciência nem tão pouco uma dissertação sobre a mesma, antes um esclarecimento sobre quando não a usar ou, pelo menos, quando não a relembrar.
Todos os dias se dão acontecimentos que rapidamente são explicados cientificamente, a questão é que na verdade, sempre fui alguém que apesar de ter conhecimentos para explicar todo um rol de situações, não gosto de o fazer; isto é: quando virem um casal de idosos e um amigo(a) vosso(a) comentar "olha que bonito!" não se prontifiquem a explicar "sabias que o amor é o resultado de uma complexa cadeia de reacções químicas no cérebro?"(sendo uma aluna de Hogwarts há tanto tempo não o deveria declarar assim por escrito, mas) é o seguinte, todos sabemos que a magia não existe, mas pior do que essa tomada de consciência é serem-nos explicados os truques de ilusionismo.
Não condeno o conhecimento científico de maneira nenhuma, é um dos, senão mesmo o maior bem da Humanidade(apartando toda uma discussão sobre criações do Homem, bombas atómicas e afins), mas se a única forma de viver é explicando como, então não gosto nem quero.
Talvez seja por isso que sempre me interessei tanto por cinema e mais concretamente filmes de fantasia, já sei que metade dos cenários não passam de um fundo verde e que todas as luzes saídas de lugares inesperados e protuberâncias corporais impossíveis são na realidade efeitos especiais e maquilhagem, mas sinto-me tão bem na lua e confortável com a ideia de que algures por debaixo da ponte D. Luís vive um troll chamado Grug, que relâmpagos são na verdade lutas por poder entre gigantes sobre as nuvens e que estas últimas são feitas de marshmallows- nada é verdade, mas imaginar e viver nesse mundo imaginário por breves instantes, sempre soube bem. Nunca gostei daquelas constantes críticas aos contos de fadas e pior do que isso, dos updates para a vida real, se estão ali foi porque alguém os criou por um único motivo: sonhar, e tudo para além disto, como a crença de que estes se tornam realidade, é responsabilidade do próprio e não do criador ou criação.
É pela certeza que tenho de que não somos máquinas que peço (a quem me quiser ouvir), não expliquem os truques de ilusionismo e deixem voar quem o quer fazer, que de cínicos está o mundo cheio e as Nimbus não são propriamente baratas.

Agora boa noite, que amanhã tenho aula de Cuidados de Criaturas Mágicas.

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