quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

"Nas costas dos outros leio as minhas"

28 de Outubro de 2014

«(...) E eu vi, com estes olhos que a terra há-de comer
Quem nos quer bem, quem nos quer foder
É um fardo pesado que não pode ser ignorado
O ódio que não desiste em nos envolver
Por outro lado há quem nos ame e respeite
E da forma que és é da forma que serás aceite
Há sempre alguém que nos ilumina com algo que nos fascina
Alguém que reconhece uma simples e solitária linha
São essas pessoas que enriquecem o quotidiano
E nos ajudam a ver a grandeza do ser humano
A nobreza de um mano que nos aconselha
Quando a parte branca dos nossos olhos
Se encontra raiada e vermelha
Porque na face do abismo poucos estendem a mão
Esses poucos para mim são homens com eterna ascensão (...)»


Tenho vindo a descobrir algo: amo poucas pessoas, muito poucas.
Acontece que ultimamente, e com tempo livre em demasia, dou por mim a reflectir nos valores humanos, nas pessoas que me rodeiam, em pequenas atitudes do dia-a-dia e a aperfeiçoar-lhes as arestas, quando um dia me caiu a ficha e pensei "Cátia minha cara, tu amas muito poucas pessoas".
Assim de repente, sem rodeios e pronta a espalhar o pânico constato: demasiada falsidade, e não o afirmo com vontade que se assemelhe minimamente a frases brasileiras proferidas por Shakespeare, mas a verdade é só uma, existe demasiada falsidade e ainda que me alegre saber que certas e determinadas pessoas, fazendo elas parte do meu círculo ou não, se lhe escapam, continua a existir demasiada maldade de todos os lados, sendo elas por palavras ou actos e mais tarde ou mais cedo surgindo das pessoas mais inesperadas- (leiam muito rápido) aqui era a parte em que a claquete de cinema estalava e se ouvia alguém dizer "CORTA!" e o meu cérebro estagnava, desmanchando a visão futurista barra sonhadora barra optimista acabando por perder toda e qualquer uma esperança na Humanidade (podem parar). Quer dizer, elevamos as pessoas à nossa tão querida, estimada e durante muitos anos polida conta, para mais dia menos dia se revelarem ser aquilo que existe por aí ao pontapé: mesquinhas; Seguindo-se toda uma lista de pensamentos e conversas que um dia lhes revelaram precedendo-se então a verdadeira viúva negra, meus caros: desilusão.
Ora eu posso ainda não me conhecer muito bem, mas é inegável a minha certeza no que toca a isto: tenho a noção das coisas, mas não consigo pensar de outra maneira, isto trocado por miúdos e contextualizando ficaria algo do género:tenho a perfeita noção de que apesar de nos desiludirmos com alguém não devemos deixar que da excepção se faça a regra mas, (porém, todavia, entretanto, no entanto, senão, não obstante, contudo) inconscientemente e de uma forma inata, é-me impossível não o fazer.
Graças ao tempo, e à subtil maneira que este tem de passar e aligeirar as emoções, a minha fase obscura e derrotista perante a Humanidade também acaba por se dissolver restando apenas uma certeza: tenho poucas pessoas fixas na minha vida, muito poucas, por quem sinto uma espécie de nó no coração, que conseguem trazer-me lágrimas aos olhos com qualquer coisa e em quem tenho uma confiança descomunal, poucas pessoas, como um dia ouvi dizer "que me fazem sorrir com o coração", porque são de facto muito poucas aquelas que amo, gosto de muitas, adoro algumas mas amo poucas.
E é aqui, neste momento sóbrio e lúcido de certeza, que me apercebo que estou a fazer tudo ao contrário, não devo cismar nos rostos severos e vis cobertos por máscaras, mas sentir-me grata e valorizar as pessoas naturalmente bonitas que me rodeiam.

A vocês, obrigada.

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