quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Pinky promise

«Hoje juro pela bandeira, e pelo clube lá da terra
Que te protejo uma vida inteira, nem que tenha que ir à guerra»

~ João Seilá

Nunca falei sobre isso nem nunca hei-de falar a menos que o queiras, porque é assim que gosto de lidar contigo: saber-te; saber quando falar é necessário e saber quando me devo afastar e observar-te de longe, deixar-te caminhar de um lado para o outro, respirar e absorver- tantas vezes me sinto como se estivesse a estudar alguém diferente, alguém que naquele momento não está a corresponder aos dados que mentalizei. Por nunca te ter falado sobre isso, também nunca cheguei a ter oportunidade de te dizer do quanto me orgulho de ti, mesmo que todo esse invólucro duro e frio às vezes leve a melhor sobre mim, não te posso tirar o mérito; não sei se por obstinação ou por não conseguires lidar com tudo de outra forma, mas encheste-me de orgulho e simultânea preocupação. Infligiram-te o golpe mais baixo e levantaste-te com a mesma facilidade de quem tropeçou num paralelo saliente. 
Entristece-me porém, que de novo te tenhas fechado em copas, atirando ocasionalmente uma pista para que não perdesse totalmente o fio à meada, não me entristece por mim, entristece-me por ti; as possíveis noites que deves ter passado em branco, a força contrária à da mentalização a impor-se sobre ti diariamente sem que soltasses uma palavra, não te autorizares a demonstrar tamanha tristeza por um bem maior- tudo isto me entristece, porque gostava de ter feito mais de forma a que sentisses menos. Disse-to naquele dia e repito-o as vezes que forem necessárias: eu e tu estamos nisto juntos e nunca te vou deixar sozinho, observo-te ao longe no teu círculo se necessário for, e de novo me junto a ti num mundo que é só nosso, encarando-te como o adulto que és enquanto simultaneamente te mimo e protejo como a criança que tantas vezes me pareces. Nunca falei contigo sobre isso, nem nunca hei-de falar a menos que o queiras, mas prometo pelo mindinho em como não te vou deixar sozinho. 
Tenho tanto orgulho em ti.

{Afinal, nunca te tinha escrito nenhum texto}

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