"All I wanted was to break your walls"
A Pad Benatar é que tinha razão, afinal "love is a battlefield" e eu nunca soube quando me render. É curioso observar a força massiva com que se luta pelo que não se está disposto a desistir, a forma como unhas, dentes e mente se unem num só sem nunca bater em retirada- cremo-nos tão omnipotentes, tão semi-deuses, que nos esquecemos totalmente da nossa humilde condição humana. Aqueles breves momentos sob as luzes da ribalta são impagáveis, saber que vencemos uma batalha com ou por alguém, enche-nos de força bruta para as próximas que se avizinham- tornamo-nos senhores do nosso destino.
Com tamanha euforia, tamanha certeza de que nunca bateremos com a porta, nunca diremos que não, descuidamo-nos em olhar para o lado de forma a garantir-mos de que não estamos sozinhos- o erro começa e acaba aí, quando de mãos dadas e armas compartilhadas passamos a soldado raso e sozinho, a lutar agora pelo incerto, quando todos os outros já bateram em retirada. Deixamo-nos cegar pela vontade de salvar aquilo que desde o início esteve condenado, esquecendo que sozinhos somos totalmente vulneráveis.
Há que saber quando guardar as nossas armas, saber quando já demos mais do que aquilo que era suposto, mais do que foi devolvido- aceitar que existem guerras destinadas a serem perdidas, mesmo que depois da derrota ainda sintamos a força a fervilhar-nos no sangue, entendamos que não são os inimigos que nos infligem os maiores golpes mas sim quem lutava a nosso lado, que quanto maior a nossa relutância em baixar as armas, maior a quantidade de ferimentos auto-infligidos. Voltamos para casa, desolados pela perda mas frustrados pela sensação de que ainda existia mais caminho para percorrer.
Gradualmente conseguimos perceber qual o momento ideal para embainhar a espada, as derrotas tornam-se demónios cada vez mais inofensivos, deitando a cabeça na almofada sentimos a consciência limpa de que fizemos o nosso dever, e em momento algum ponderamos desistir.
Consciência limpa, e assim adormecemos em paz.
Consciência limpa, e assim adormecemos em paz.
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